sexta-feira, 27 de junho de 2014

Maldito

Mas aí, dia desses, vi em uma das escolas que trabalho, uma caixa com vários livros, no chão da Secretaria. Comecei a ver o que tinha e a vice-diretora apareceu e disse "pega o que tu quiser daí, é tudo doação de um ex-aluno". Pouca coisa boa, na verdade, mas achei e resolvi pegar "Plataforma", do Michel Houellebecq, francês maldito. Pensei "vamos ver porque o Juremir Machado da Silva fala tanto nele..."

Aí algumas constatações:

1. O livro é realmente bom. Mesmo com minha absurda e absoluta falta de tempo, cansaço e 417 atividades para fazer por dia, consegui lê-lo em 5 dias (fosse férias, iria em um, mesmo com suas quase 400 páginas).

2. O cara é MESMO maldito. Vai fundo nas feridas e mazelas da sociedade. Explora sem meias palavras os pontos mais incômodos da humanidade atual, e mesmo de seus compatriotas - critica a sexualidade dos franceses e detalha a questão do turismo sexual, por exemplo, de uma maneira BEM incômoda, colocando pingos nos is e na testa dos responsáveis. Aborda ainda os conflitos culturais e religiosos na relação ocidente X muçulmanos, detonando estes...

3. Na boa, dá uma vontade louca de ter uma Valérie...

sábado, 14 de junho de 2014

Imagina na Copa

Pois é, já começou. Agora não dá mais para usar este bordão, "imagina na Copa"...

Não vi a abertura, não tenho muita paciência. Vi a maior parte do jogo da estreia do Brasil, sem muito entusiasmo. Já postei no face que o Ronaldo fenômeno (não com as palavras), o Pelé, o Lula, a Dilma e uma cacetada de outros políticos e empreiteiros tiraram todo meu entusiasmo pela copa. O uso político que o PT fará de um hexacampeonato então, tem me enojado. Na verdade, até não é a Copa em si, mas a seleção canarinho e o governo mesmo que vem me desapontando. Sempre conheci toda a seleção, nas outras copas. Nesta sei citar o nome de uns 5 ou 6, não mais do que isso. Gostei, por exemplo, do jogo da Holanda e do da Itália.

O que não gosto, NÃO ADIANTA, é de papelão, algo em que o Brasil é especialista. Enquanto vejo e ouço discussões por aí sobre a vergonha que é um povo mandar sua presidente tomar no ânus, acho tão ou mais vergonhosa a forma como veio o segundo gol do Brasil no jogo de estreia, contra a Croácia. Aquele """"""""""""pênalti"""""""""""""" simulado pelo Fred. Boa propaganda para o mundo sobre a desonestidade e o oportunismo imbecil do brasileiro. Sobre a inversão de valores que impera o Brasil, que sempre fará o país pequeno.

ISSO AQUI SIM é exemplo de inteligência, dignidade e honestidade. Exemplo do que não é ser brasileiro. E do que sempre levará o Brasil para trás...


Aliás, a propósito, já é mais do que hora de rever as regras do futebol. POR QUE ainda depender de erros? E cultuá-los? Por que não usar a tecnologia disponível? As regras são ainda do século XIX... Por que não colocar a possibilidade de cada técnico ter o direito de pedir 1 ou 2 replays a cada tempo do jogo, como no futebol americano, por exemplo? Olha o México, absurdamente garfado em dois gols, na sexta-feira... Um esporte que gira com BILHÕES de doletas a cada ano contar ainda com tanto amadorismo... Este esporte, e o que nele há de intrínseco, vem desanimando...

terça-feira, 4 de março de 2014

Ou...

Chê, mas a cidade fica realmente uma beleza no feriadão de carnaval!!!!!!!



ou...
acho que já está na hora de eu me mudar para um lugar menos caótico...

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Sonzeira

Baita sonzeira, música muito boa. E fui atrás da banda, ouvi outras coisas, e é muito boa mesmo. Dica dO Guri, meu irmão que às vezes acha umas coisinhas boas na rede e compartilha comigo.
A música que compartilho aqui é Dilly, do terceiro disco da banda de Seattle, "Infinite arms", de 2010, que tem outras boas descobertas, como Laredo e a faixa-título. Agora, em termos de clipe, este é o melhor de todos, e um dos melhores que já vi por aí, uma verdadeira obra, para ver, não acreditar e rever!!!!


Tá, pode clicar e rever!
Tem muita coisa deles na rede, vale garimpar.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Arte - sem moderação!

BAITA dica. E nem vou dizer que é para quem gosta de arte. Primeiro porque não acredito que haja alguém que não goste. Segundo porque até para é pouco entusiasmado com o assunto (como pode?) vai curtir.

Seguinte: o portal Universia está colocando a cada dia uma obra de arte para apreciação. E o melhor, com todas as características da obra, período e contexto. De maneira clara, compreensível e didática. Grande iniciativa, arte e cultura NUNCA são demais (no Brasil então...)

Clica, abre e faz como eu: adiciona à tua barra de favoritos para lembrar de abrir todos os dias:

http://noticias.universia.com.br/tag/um-pouco-de-arte-para-sua-vida-2014/

O projeto começou há menos de um mês, então dá para ver também, além da obra do dia todas as outras desde o início. Já teve Frida, Van Gogh, Bosch, Degas, Matisse, etc.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Conservinha

Fim de férias. É, um dia acaba mesmo...
Mas ainda deu tempo de brincar na cozinha e exercitar um pouco o hobby. A pedida da vez foi a conserva de cebola, que aqui em casa como aos montes (nunca fico sem). Essa é bem facinha:

Ferve o vinagre com os temperos que tu gosta (eu coloquei louro, orégano e manjericão) Põe as cebolas, devidamente descascadas no vidro e, quando esfriar, completa com o vinagre e os temperos. Sim, é só isso. Difícil, não?

Algumas dicas, porém, são fundamentais:
- o vidro em que vai a conserva, como qualquer outra conserva, deve estar bem esterilizado.
- a quantidade do vinagre (e dos temperos) depende do tamanho do vidro e da quantidade de cebola. Usei, para duas redinhas de cebolas, que comprei no mercado público, uma garrafinha inteira (500ml).
- embora ADORE cebola, dei uma boa fervida nelas, pois gosto de ter seu gosto na boca durante a refeição, e não durante o dia inteiro.
- quanto mais tempo ficar no vidro, melhor fica a conserva, mais curtida. Então é sempre bom fazer quando ainda tiver outra conserva de cebola na geladeira - até esta acabar, a outra estará já com alguns dias/ semana de tempero.

Agora levanta daí, vai comprar os ingredientes e te puxa!!!!

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Esse é especial


Bah, essa leitura muito me agradou. Cheguei a retardá-la, para não acabar o livro tão rápido. Trata-se de Um quarto de légua em quadro, livro de estreia de Assis Brasil. Sim, estreia, em 1976. Já comentei várias vezes por aqui da minha admiração pelos seus livros, por seu estilo, mas a razão de esta leitura ser tão especial para mim é outra. Ou melhor, são outras.

Primeiro, e obviamente, e pela pesquisa histórica do autor, para ambientar sua ficção em meados do século XVIII, no sul do Brasil. Lugares (e seus nomes) e alguns personagens são reais, evidenciado o cuidado do autor.

Segundo, por parte da história se passar em Rio Grande. Nasci em Porto Alegre, mas uns 98% de minha família são daquela cidade, que conheço bem e ADORO. Poderia muito bem ter nascido por lá...

Terceiro, pois me lembra de um momento bastante interessante em minha vida. A primeira vez que li este livro foi em 1989, no primeiro bimestre (sim as escolas ainda organizavam-se em bimestres naquela época), para a disciplina de literatura. Haviam várias opções, mas por tratar-se de um autor que eu nunca havia lido, resolvi experimentar. Foi um baque, amor à primeira vista. Sempre fui leitor contumaz e sempre gostei de História, não sei como nunca havia lido o autor até aquele início de 1989...

Após escalas em alguns sebos (não encontrei em nenhuma livraria), acabei achando - e me agarrando - a louca trajetória do Doutor Gaspar de Fróis. Um ambicioso livro para alguém que então estreava no mundo das letras. Mas parece até o décimo ou décimo quinto livro, de tão bem conduzido. Recomendável para quem gosta de literatura, de História e do sul do Brasil.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Analógico



Nas viagens sou completamente analógico. Normalmente nem levo computador, mas desta vez levei, mais para uma necessidade, para minha herdeira poder ver uns videozinhos em caso de tédio extremo, o que nem foi preciso. Uma tarde, enquanto o pessoal dormia e eu já tinha acabado de ler os livros que havia levado, tive uma recaída e me loguei na rede social. Olhei alguns posts, vi que tudo continua na mesma na rede, sempre os mesmos tipos de posts (sobre o tempo, frasezinhas e imagenzinhas engraçadas e alguns avisando cada um de seus passos), respondi algumas coisinhas curti uma ou outra e saí. Sem muito o que fazer ou ler (também já tinha devorado o jornal), fui ler uns rótulos de produtos que encontrei na cozinha (açúcar, café, nescau, sal, bolachas diversas, ...) e descobri horrores! Mas nada de interessante...


Bom, mas voltando à questão que motivou este post, acabei perdendo o tempo de comentar a lamentável morte de Nico Nicolaiewski. Irreparável perda. Já planejava levar a Alice daqui a alguns anos no Tangos e Tragédias... Pena, ela terá de viver sem o espetáculo. E, paciência, isso agora já é notícia velha, quem mandou ser tão analógico (e xiita)?

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Olho tático

Indicação de blog. Mas para quem gosta de futebol e de trocar umas ideias sobre:

http://olhotatico.blogspot.com.br/

O blog trata de futebol, enfocando prioritariamente esquemas táticos e análises técnicas e táticas de diversos times e seleções por aí. E o principal: de maneira sucinta, com textos curtos (bons para estes tempos de pressa em que vivemos) e ao mesmo tempo claros. É de um ex-aluno meu, que hoje faz jornalismo e ainda vai dar muito o  que falar, grande promessa!

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Mestre fatiador?


Bah, mas sempre há um motivo a mais para me cair butiás dos bolsos. Fui bem inocente ao Zaffari ontem à noite comprar uns ingredientes para fazer umas pizzas e, ao chegar no queijo, me deparo com a seguinte situação: queijo Hollmann em pedaço, R$ 14,90 (esse é tri bom, tem um toquezinho bem legal de sal). O mesmo queijo, fatiado, por R$ 27,90. Sim, como eu escrevi, era o mesmo queijo. O MESMO. E quase o dobro do preço.


O que me leva a pensar em alguma explicação para isso. Ou algumas.

Um: a máquina que fatia o tal laticínio talvez seja caríssima. GRANDE, imponente, ultra-high-tech, cheia de componentes eletrônicos, chips e comandos sofisticadíssimos, o que exige anos de treinamento para operá-la.

Dois: a pessoa que corta o dito queijo em fatias para o deleite (sem trocadilhos) dos apreciadores de sanduíches e derivados deve ser um mestre fatiador, de linhagem secular e que passa os segredos do ofício apenas para um dos filhos, guardando assim os louros (e os lucros) da profissão, como o escriba no Egito Antigo.

Três: uma combinação das duas hipóteses anteriores - talvez o dito mestre fatiador tenha inventado a tal máquina revolucionária.

Quatro: pura sacanagem do supermercado para castigar os acomodados ou os comodistas.

Sei lá eu, mas que é um absurdo cobrar praticamente o dobro do preço de um produto apenas para fatiá-lo, isso é. A menos que uma das três primeiras hipóteses esteja certa...

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Vanda morreu

Ficha de Dilma no SNI, onde se veem os outros nomes que usou em sua atividade então de esquerda.
A ditadura militar ainda continua, décadas depois, fazendo vítimas. Dias atrás, morreu a Vanda. Morreu, porém, com estilo. Morreu na suíte presidencial do Hotel Ritz de Lisboa, ao custo de R$ 27.000,00, e após lauta refeição em hotel do mais alto luxo, com toda a corte (os que não puderam se hospedar no Ritz ficaram no Tívoli). Morreu de barriga cheia, em uma escala de algumas horas em Portugal, no meio do caminho entre o fórum de Davos e a visita ao ex-companheiro Fidel. E olha que foram apenas horas em solo português, imaginem o que poderia ter acontecido em uns três ou quatro dias. E não importa de quem é o dinheiro, a questão é outra: princípios, ideias e coerência. A Vanda da ditadura lutou contra todo esse luxo e ostentação. Deve ter levado muito na cabeça, para esquecer tudo isso.

Luíza havia já morrido, quando continuou no PT mesmo após o escândalo do mensalão vir à tona. Morreu por cumplicidade, ou no mínimo por conivência. Teve chance de se salvar, com Luciana Genro e outros, mas não aproveitou.

Depois foi a vez de Patrícia. Morreu quando se aliou ao PMDB, com quem ainda continua, in memorian. Triste morte, porque prolongada e agonizante.

Triste noticiar ainda hoje estes óbitos recentes, na nossa ex-esquerda - ou ex-querda.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Cavalo verde


Chê, acabei agorita mesmo a leitura de O cavalo verde, de autoria atribuída a Luiz Coronel. Atribuída na obra, pois trata-se na verdade de uma compilação de causos e histórias típicas dos pagos do RS, de ontem e de hoje. Todas de domínio público. Mas nem por isso deixa de ser interessante a leitura (ou melhor, talvez por isso, pois dificilmente eu recomendaria aqui a leitura de um livro de autoria do Coronel...).

Tem aquele linguajar típico dos rincões e principalmente aquelas analogias de gaúcho - "mais solto que peido em bombacha" e "frio de renguear cusco", por exemplo, e máximas como "a partir do Mampituba tudo é exílio". Sem falar nas brincadeiras (sem maldade) com os catarinas, como atribuir a eles o chamar helicóptero de avião de rosca e guisado, de boi ralado!
Quem tem intimidade com causos vai gostar de reler alguns e é um bom presente para quem não é daqui ou não é muito íntimo da cultura rural do RS, tipo 'guri de apartamento'!