terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Olho tático

Indicação de blog. Mas para quem gosta de futebol e de trocar umas ideias sobre:

http://olhotatico.blogspot.com.br/

O blog trata de futebol, enfocando prioritariamente esquemas táticos e análises técnicas e táticas de diversos times e seleções por aí. E o principal: de maneira sucinta, com textos curtos (bons para estes tempos de pressa em que vivemos) e ao mesmo tempo claros. É de um ex-aluno meu, que hoje faz jornalismo e ainda vai dar muito o  que falar, grande promessa!

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Mestre fatiador?


Bah, mas sempre há um motivo a mais para me cair butiás dos bolsos. Fui bem inocente ao Zaffari ontem à noite comprar uns ingredientes para fazer umas pizzas e, ao chegar no queijo, me deparo com a seguinte situação: queijo Hollmann em pedaço, R$ 14,90 (esse é tri bom, tem um toquezinho bem legal de sal). O mesmo queijo, fatiado, por R$ 27,90. Sim, como eu escrevi, era o mesmo queijo. O MESMO. E quase o dobro do preço.


O que me leva a pensar em alguma explicação para isso. Ou algumas.

Um: a máquina que fatia o tal laticínio talvez seja caríssima. GRANDE, imponente, ultra-high-tech, cheia de componentes eletrônicos, chips e comandos sofisticadíssimos, o que exige anos de treinamento para operá-la.

Dois: a pessoa que corta o dito queijo em fatias para o deleite (sem trocadilhos) dos apreciadores de sanduíches e derivados deve ser um mestre fatiador, de linhagem secular e que passa os segredos do ofício apenas para um dos filhos, guardando assim os louros (e os lucros) da profissão, como o escriba no Egito Antigo.

Três: uma combinação das duas hipóteses anteriores - talvez o dito mestre fatiador tenha inventado a tal máquina revolucionária.

Quatro: pura sacanagem do supermercado para castigar os acomodados ou os comodistas.

Sei lá eu, mas que é um absurdo cobrar praticamente o dobro do preço de um produto apenas para fatiá-lo, isso é. A menos que uma das três primeiras hipóteses esteja certa...

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Vanda morreu

Ficha de Dilma no SNI, onde se veem os outros nomes que usou em sua atividade então de esquerda.
A ditadura militar ainda continua, décadas depois, fazendo vítimas. Dias atrás, morreu a Vanda. Morreu, porém, com estilo. Morreu na suíte presidencial do Hotel Ritz de Lisboa, ao custo de R$ 27.000,00, e após lauta refeição em hotel do mais alto luxo, com toda a corte (os que não puderam se hospedar no Ritz ficaram no Tívoli). Morreu de barriga cheia, em uma escala de algumas horas em Portugal, no meio do caminho entre o fórum de Davos e a visita ao ex-companheiro Fidel. E olha que foram apenas horas em solo português, imaginem o que poderia ter acontecido em uns três ou quatro dias. E não importa de quem é o dinheiro, a questão é outra: princípios, ideias e coerência. A Vanda da ditadura lutou contra todo esse luxo e ostentação. Deve ter levado muito na cabeça, para esquecer tudo isso.

Luíza havia já morrido, quando continuou no PT mesmo após o escândalo do mensalão vir à tona. Morreu por cumplicidade, ou no mínimo por conivência. Teve chance de se salvar, com Luciana Genro e outros, mas não aproveitou.

Depois foi a vez de Patrícia. Morreu quando se aliou ao PMDB, com quem ainda continua, in memorian. Triste morte, porque prolongada e agonizante.

Triste noticiar ainda hoje estes óbitos recentes, na nossa ex-esquerda - ou ex-querda.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Cavalo verde


Chê, acabei agorita mesmo a leitura de O cavalo verde, de autoria atribuída a Luiz Coronel. Atribuída na obra, pois trata-se na verdade de uma compilação de causos e histórias típicas dos pagos do RS, de ontem e de hoje. Todas de domínio público. Mas nem por isso deixa de ser interessante a leitura (ou melhor, talvez por isso, pois dificilmente eu recomendaria aqui a leitura de um livro de autoria do Coronel...).

Tem aquele linguajar típico dos rincões e principalmente aquelas analogias de gaúcho - "mais solto que peido em bombacha" e "frio de renguear cusco", por exemplo, e máximas como "a partir do Mampituba tudo é exílio". Sem falar nas brincadeiras (sem maldade) com os catarinas, como atribuir a eles o chamar helicóptero de avião de rosca e guisado, de boi ralado!
Quem tem intimidade com causos vai gostar de reler alguns e é um bom presente para quem não é daqui ou não é muito íntimo da cultura rural do RS, tipo 'guri de apartamento'!

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

1822 - ou ainda aquele velho ranço...


Acabei de ler o 1822, do Laurentino Gomes. Bom livro e recomendo a leitura.

Acho que já comentei por aqui, mas não custa reforçar (até porque não estou a fim de procurar mesmo!), pois tem muita gente que torce o nariz para este ou outros livros do autor ou do gênero (livros sobre História escrito não por historiadores, mas por jornalistas).

A maior parte do ranço está nos velhos argumentos de que "não diz nada de novo" ou "fica caricaturizando a História".

Vamos por partes.
1. Quanto a não trazer nada de novo, é verdade. Até porque a base da pesquisa do autor é em outros livros e artigos (fontes secundárias, portanto), de historiadores. Quem é historiador e pretendia encontrar novidades, novas descobertas nos livros do Laurentino Gomes precisa rever seus conceitos - sobre descobertas, sobre livros ou sobre História.

2. Quanto a caricaturizar a História ou pegar particularidades e colocá-las no centro da discussão, também há que se registrar que o historiador que lê estes livros sabe (ao menos deveria saber) discernir o que é Historia o que é regra e o que é exceção. E quem não é historiador, então, tem um prato cheio, tem bons pontos de partida para buscar mais informações sobre o que está lendo... Na verdade, o grande mérito deste tipo de leitura, iniciado no Brasil, creio eu, com os livros do Peninha (a trilogia do descobrimento, às vésperas dos "500 anos" é o de aproximar o público 'comum' da História. Poucos não-iniciados em História pegavam antes livros de História para ler, até porque a maioria esmagadora dos livros de História escritos por historiadores destina-se mesmo A historiadores (salvo algumas exceções, como Mary Del Priori). O academicismo e muitas vezes a linguagem acaba afastando o público comum dos livros de História. A popularização da História acabou acontecendo mesmo através destas obras que a "traduzem" para o público comum. Isso explica a grande quantidade e o sucesso de revistas de História que temos hoje, bem como as séries de livros e filmes com fundo na História. Quem lê E GOSTA acaba indo atrás de mais informações, e bebendo em outras fontes. Eu mesmo tenho alunos que já no ensino fundamental, aos 12, 13 anos leem e comentam comigo sobre estes livros (1808, 1822, 1889...), espontaneamente, sem a leitura ter sido cobrada e muitas vezes até sem estarmos estudando tais assuntos. Alguém aí duvida da crescente popularização da História nos últimos anos?

Enfim, vale sim a leitura, e mais ainda se ela for ponto de partida para aprofundamento em outras fontes!

sábado, 11 de janeiro de 2014

La caponata

Bah, o título ficou até parecendo nome de máfia...

Nada como as férias... Tempo para se dedicar a atividades que dão prazer e fazem bem à cabeça - e, de quebra, à gula!!!!
Encontrei uma boa receita de Caponata (a famosa pasta de berinjela) e resolvi experimentar. Bem facinha e com ótimo resultado, anotaí!!!

CAPONATA

Ingredientes:
- 2 berinjelas grandes
- 1 pimentão vermelho e 1 amarelo
- 1 cebola grande
- 3 dentes de alho amassados
- 200 g de champignon picado
- orégano a gosto
- sal a gosto
- salsinha e cebolinha a gosto
- azeite para refogar e cobrir a conserva

Preparo:
- Descascar a berinjela e cortar em cubinhos ou tirinhas (preferi o formato das tirinhas, mais comum na caponata). Como se vê na foto, berinjela cortada não é a coisa mais bonita do mundo, mas, segue fazendo  a receita que o resultado compensa!

- Retirar as sementes dos pimentões e cortar no mesmo formato da berinjela. Eu não tinha o vermelho, então usei o verde mesmo; em termos de gosto acho que não dá tanta diferença, só no visual mesmo...


- Refogar a cebola picada com o alho amassado no orégano e no azeite. Como estou suspeitando ser alérgico à orégano, não coloquei (nas últimas vezes em que fiz pizza sem orégano passei bem...)

- Juntar a berinjela e os pimentões, mexendo para não pegar no fundo. Acrescentar o champignon e corrigir o sal, de acordo com o gosto pessoal. Quando a berinjela estiver mole, é hora de apagar o fogo e acrescentar a salsa e a cebolinha. Depois, colocar em um refratário de vidro e deixar esfriar. Aí é só colocar em um recipiente de vidro bem limpo, cobrir com azeite e levar à geladeira. Fica melhor nos dias seguintes, mais 'curtida'. Eu usei azeite de oliva, em cada vidro (não tinha vidro grande disponível, fiz em vários daqueles de papinhas). Bom com torradinhas, e já fiz até pizza com esta pasta!
 




terça-feira, 7 de janeiro de 2014


Bom, outro ano fraco em termos de leituras (espero que o último), mas ainda assim, vamos manter a tradição - sim, sou apegado a tradições! - e proceder à lista das indicações desta Mente Inquieta.

Os indicados estão em azul!

  • Getúlio Vargas em dois mundos (Wanda Canutti)
  • Canções (Mário Quintana)
  • Rua dos cataventos (Mário Quintana)
  • Os templários (Barbara Frale)
  • Uma história do mundo (David Coimbra)
  • Bento Gonçalves - o herói ladrão (Tau Golin)
  • Buda - O mito e a realidade (Heródoto Barbeiro)
  • Figura na sombra (Assis Brasil)
  • O exército de um homem só (Moacyr Scliar)
  • Seu amigo esteve aqui (Cristina Chacel)


Como se vê, muito livro indicado para pouca lista, mas, desde que passei a ter pouco tempo para leitura, passei a selecionar BEM MELHOR o que leio. Se vou ler pouca coisa, não quero perder tempo com livros maisoumenos!

domingo, 5 de janeiro de 2014

Ajeitando as melancias

Outro ano se foi. E um bem punk, por sinal. O mais pesado em termos profissionais, com uma série de exigências, burocracias e carga absurda de trabalho para casa. Logo para casa, local de relaxar, desligar um pouco do mundo e ver a filha crescer. Mas este ano tudo vai ser diferente - promessa de ano novo? Sei lá, talvez apenas um desejo, uma esperança...

Enfim, férias, e voltamos ao blógue. Queria ter passado aqui antes, foi um final de ano com bastante temas para serem abordados - o segundo enterro do João Goulart, infelizmente abafado pela morte de um ícone mundial do século XX, Mandela; os 45 anos do AI-5, também em dezembro, as punições do mensalão, Snowden e por aí vai.

Mas vamos aos poucos arrumando as melancias na carroça, com o sacolejar da estrada. O fato é que pretendemos - agora sim, promessa de ano novo! - ativar mais o Mente Inquieta em 2014, como foi em seus primeiros anos. Sim, em tempos de facebook mesmo. Sou metódico e organizado demais para postar no face o que posto aqui, pois um blog permite organização dos assuntos por temas. Por isso continuo e vou continuar blogando, paciência. Gostou do que leu aqui? Curte - aqui ou no face. E, o principal, comenta! Elogia, critica, chuta o balde, sei lá, mas me dá combustível!!!

Ah, e um feliz vinte quatorze para todos!!!

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Feliz Natal

Parabéns, J.C.!!!!!

Simples assim, como deve ser o Natal. Papai Noel?

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

30 anos esta noite

Na verdade, nesta madrugada. Há exatos 30 anos, em 11 de dezembro de 1983 o Rio Grande do Sul tinha um Campeão Mundial. A terra, segundo a Placar, ficava azul.





Tempos de futebol bonito, de futebol jogado, de camiseta. Para se ter uma ideia, a premiação, acertada já em Porto Alegre, era de 5.000 dólares para cada jogador. Hoje a maioria dos jogadores (falo em times de ponta) não levanta da cama por 5 mil dólares...

Vi, já aos nove anos, meu time ser campeão do mundo. Meu pai, que torcia para outro, não teve a mesma sorte: viveu 58 anos e não viu nada.


A seguir, os gols daquela emocionante partida, com prorrogação e tudo.


E aqui os responsáveis:



sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Singeleza

Mas aí, o cidadão lendo um Mario Quintana, bem tranquilo, e se depara com esta obra de singeleza, de seu segundo livro, lá de 1946 (Canções):

Canção de junto ao berço

Não te movas, dorme, dorme
O teu soninho tranquilo
Não te movas (diz-lhe a Noite)
Que inda está cantando um grilo...

Abre os teus olhinhos de ouro
(O Dia lhe diz baixinho)
É tempo de levantares
Que já canta um passarinho...

Sozinho, que pode um grilo
Quando já tudo é revoada?
E o Dia rouba o menino
no manto da madrugada...


Primor de sutileza para descrever o acordar de uma criança. Isto quando o mundo mergulhava na guerra fria e tinha acabado de ver todo o horror dos campos de concentração e das bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki.

Isto 40 anos depois do nascimento do poeta, quando faltavam ainda 20 para ele virar imortal da Academia Brasileira de Letras. Mais outros 20 anos e ele seria Patrono da Feira do Livro de Porto Alegre, no já distante 1986 (demorou...). Ele que, ao receber, em 1967 o título de Cidadão Honorário de Porto Alegre, ainda cunhou esta:

"Antes, ser poeta era um agravante. Depois, passou a ser uma atenuante. Vejo agora que ser poeta é uma credencial."


Mas bah! Só resta lamentar o fato de tal lacuna ainda não ter sido preenchida em nossa poesia, passados 29 anos da morte de Quintana...

domingo, 7 de julho de 2013

Tristeza

Tristeza é pouco. Faltam palavras para descrever o sentimento pelo incêndio no Mercado Público de Porto Alegre, na noite de ontem.
Triste 06/07/2013


Tristeza e pesar por vários motivos, como os humanitários por exemplo: pensando nas centenas (milhares) de famílias que tem seu sustento ali, como proprietários de estabelecimentos ou como funcionários.

Tristeza e melancolia também ao lembrar de incontáveis ótimos momentos vividos por ali, desde os tempos de faculdade, estagiário e bolsista da Fapergs no Arquivo Público, com muitos cafés e reuniões com colegas e professores orientadores no Mercado. Mais tarde, trabalhando no CIEE, sempre levava erva do amargo dali. Como as muitas cuias, bombas, alpargatas, chazinhos e demais guloseimas. E, ultimamente, freguês dos açougues e dos chocolates, granulados e demais itens utilizados pela minha senhora no preparo de seus doces. O lugar não trabalha apenas com produtos, mas com nostalgia...
O Mercado em 1877

Dor também pelo patrimônio histórico, há poucos anos reformado (há muito custo) e que já resistiu a outros incêndios e até a uma enchente (1941), nestes seus 144 anos de história (e memória) pura.

Há muito o que ser apurado sobre negligência, responsabilidades, condições etc. Mas que se comece também a apurar dinheiro para sua reconstrução, o quanto antes. Pelos lojistas, pelos funcionários, pelos frequentadores, por Porto Alegre, pelo RS. Pela História.