domingo, 3 de março de 2013

O lado escuro da lua

Me passei. Lamentável.

Dia 1 de março o disco The darkside of the moon, do Pink Floyd, completou 40 anos.

Naquele 1º de março de 1973 o Médici enquadrava a mil o que restava dos movimentos de esquerda no Brasil, os países árabes tomavam consciência do poder que o petróleo lhes conferia e meu pai e minha mãe cuidavam com muito amor do meu irmão, então com menos de dois anos. Em alguns meses, estariam 'me fazendo'!

Ou seja, não presenciei o lançamento do disco, mas já li, ouvi e assisti muita coisa daqueles loucos anos e do que bandas como o Pink (quer dizer, genericamente falando, pois não há e nunca houve outra como eles) revolucionaram a música e as cabeças.

Não lembro ao certo quando foi meu primeiro contato com a banda, mas lembro que foi com este álbum, e através de uma fita K7 (Vat, 46', lembro até hoje!). Lembro também que aquilo foi um caminho sem volta, ali passei a conhecer e a gostar de música de verdade. É algo (este disco) que não tem explicação, e que jamais sairia de uma mente sóbria, mediana ou de seu próprio tempo. É a invenção do conceito de psicodelia. Não tem como ouvir sem sentir nada ou ficando indiferente. É uma patada. Um coice na boca do estômago. É, na verdade, e na humilde opinião deste que vos tecla, o melhor disco de todos os tempos. E de longe. Merece ser ouvido sempre, mas de preferência quando se tiver tempo para apenas ouvir, sem estar fazendo outra coisa ao mesmo tempo. É uma verdadeira viagem ao outro lado...

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

- Quantidade, +Qualidade!

Os mais assíduos sabem que a literatura sempre foi e é, para esta mente inquieta, assunto dos mais sérios. Coisa cara. E sabem também que o ano de 2012 foi sofrido neste aspecto, pelas razões comentadas aqui. Nestas férias também a coisa não está muito diferente, mas por opção. Mais vale acompanhar o crescimento, o desenvolvimento e as descobertas diárias da filha do que colocar a leitura em dia. Esta fase do desenvolvimento do nenê - criança não volta, não posso deixar para depois. Por isso, tenho optado por leituras mais certas, que sei que vou gostar.
Aí então duas indicações, que acabei de ler:
  • O Exército de um homem só, do Moacyr Scliar, contando a história do velho Capitão Birobidjan, que sonha construir uma nova sociedade (Nova Birobidjan), onde o homem não explora o homem. Tem todos os planos e métodos de ação para isso. É o Dom Quixote do século XX, bem conduzindo pela brilhante mente do Scliar. Os passos para a nova sociedade são uma crítica a regimes como o da URSS de Stalin.
  • Figura na sombra, do Luiz Antônio de Assis Brasil, narra de maneira fictícia a viagem de Alexander Humboldt e Aimé Bonpland às américas, e como este último é, desde o início (e até o final da vida), a sombra do outro. Vale a descrição das localidades, a época e os costumes do início do século XIX. Este não é, certamente, o melhor livro do Assis Brasil, mas mesmo um livro médio dele é melhor do que a maior parte do que se produz em literatura no Brasil.


Enfim, há sempre boas opções, mesmo para quem não tem muito tempo (eu que diga...). Se não pode ler tudo que quer (como eu), vai nos teus preferidos que o prazer é certo. Vale também ir atrás de indicações de amigos, conhecidos e amantes das letras em geral. Crítica de revistas é que às vezes não é um bom negócio a seguir...

    segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

    Seu amigo esteve aqui

    Sim, talvez algum amigo seu tenha aparecido aqui pelo blog, mas o título deste post, na verdade, faz referência a um ÓTIMO livro que acabei de ler (grande presente da Andressa): Seu amigo esteve aqui, da jornalista Cristina Chacel.

     Primor de texto (como normalmente ocorre em livros de jornalistas) e um personagem grandioso, merecedor de tal obra. Trata-se de Carlos Alberto Soares de Freitas, o Beto (codinome Breno), dirigente da VAR-Palmares, desaparecido no Rio de Janeiro em 15 de fevereiro de 1971, nas mãos de nossos sanguinários ditadores. É aquele mesmo Beto ao qual Dilma Roussef fez referência em seu primeiro discurso como candidata à presidência, em fevereiro de 2000.

    O livro narra a trajetória de Carlos Alberto desde a adolescência (um pouco antes) em Minas Gerais, sua formação (acadêmica e teórica), sua história na militância de esquerda, ações e importância em seu contexto. É um bonito relato de uma vida digna de registro literário (e mesmo cinematográfico, o livro daria um ótimo filme...). Nos relembra e nos faz pensar no desprendimento e no idealismo daqueles que lutaram contra a ditadura. Realmente não deve ser fácil privar-se da família, do lar, do lazer e da própria identidade em nome de uma causa. E de uma causa que não é pessoal apenas, mas coletiva; de um país inteiro. Isso sem falar em todos os suplícios que ele (e outros presos políticos) devem ter passado nas mãos daqueles que deveriam proteger a sociedade.

    Enfim, um ótimo livro, uma bonita homenagem e um lembrete, para que não caia no esquecimento esta triste página da nossa história.

    domingo, 20 de janeiro de 2013

    A lista

    Ah, sim, um pouco de atraso, mas agora é que me lembrei que todo início de ano coloco aqui a lista de minhas leituras do ano anterior, com as devidas recomendações. É que, como no ano passado li muito pouco (quase nada), isso tinha me passado. Bom, vamos lá; o que está destacado em verde são os melhores, os que recomendo como indispensáveis:

    • Os Farrapos (Carlos Urbim)
    • Contos fluminenses (Machado de Assis)
    • Canibais (David Coimbra)
    • O ovo apunhalado (Caio Fernando Abreu)
    • Sociedades secretas (Sérgio Pereira Couto)
    • Manhã transfigurada (Assis Brasil)
    • O cotidiano da República (Sandra Pesavento)
    • Histórias íntimas: sexualidade e erotismo na História do Brasil (Mary Del Priore)

    Como os amigos veem, li pouco mas li bem. Gostei da maior parte do que li e afirmo que nesta pequena lista os amigos encontrarão ótimas opções para boas viagens no mundo das letras!

    terça-feira, 8 de janeiro de 2013

    Show da realidade


    Há tempos atrás se dizia que o ano só começa depois do carnaval. Esta máxima, porém, já deve ser revista; hoje em dia, para muita gente, o ano só tem início com uma noca edição do bíguebróder. O que é triste e lamentável. Mas também diz muito do nosso povo e de porque o Brasil está do jeito que está... Tem gente a dar com pau que reclama de ter de votar uma vez a cada dois anos, mas vota toda semana no paredão... 
    O interessante é tentar entender por que é que este tipo de programa faz tanto sucesso. Tá, tem toda a questão de não forçar o cérebro (ou nem mesmo ser necessário um), de ser um programa leve, descomprometido com qualquer coisa mais séria ou inteligente e por aí vai.
    Mas na verdade, há um outro aspecto interessante de ser analisado que é a questão de cada vez mais gente querer viver ou achar que está vivendo em um reality show, tamanho é o grau de contaminação que um programa deste pode causar. Como assim? Se o leitor participa ou tem acesso a alguma rede social, como o facebook ou o twitter, dá uma olhada (ou, para usar o jargão, 'dá uma espiadinha' em quanta gente posta coisas tipo "tomando um sorvete em tal lugar", "na praia tal com tal pessoa", "almoçando no...", "malhando", "indo dormir", e etc. 
    Por que é que alguém tem a necessidade de informar aos outros tudo o que está fazendo, cada passo que dá? Desejo de se sentir 'famoso', de querer ser seguido? (e tanto famoso de verdade querendo anonimato, poder seir tranquilo nas ruas...). Mais (e pior): por que é que tanta gente curte esse tipo de postagem e segue e passa horas lendo isso? O que interessa às pessoas o que os outros estão fazendo, aonde e com quem?????
    Na boa, talvez seja caduquice desta mente inquieta, mas que é difícil de entender, ah isso é...           

    sábado, 22 de dezembro de 2012

    Os farrapos




    Não, a PequenAlice não dá trabalho nenhum. Ao contrário, ela é que me faz relaxar do meu extenuante ofício. Ele é que me tira todo o tempo. O leitor mais antigo do blog deve lembrar que a esta altura do ano eu normalmente já tinha lido e comentado uns vinte e poucos ou trinta livros, este ano foram ridículos 7 (oito agora). Mas vamos lá, espero que as coisas ainda se ajeitem.

    Bom acabei agora, finalmente, de ler o "Os Farrapos", do Carlos Urbim. É sem dúvida o livro mais bonito que li nos últimos anos. Falo em termos de projeto gráfico: papel de qualidade, mais grosso e envelhecido, capa dura envelhecida, ilustrações antigas, etc. O livro foi feito para ser premiado (como de fato foi, levou em 2002 o Prêmio Açorianos, na categoria projeto gráfico.

    Em termos de qualidade de texto, o melhor livro que há sobre a Revolução Farroupilha ainda é o História regional da infâmia, do Juremir. Mas este do Carlos Urbim é bom também, pela linguagem mais acessível e pelo grafismo, que realmente prende. Não se aprofunda muito  em nenhum aspecto-chave, pois não é a proposta, como também não traz novidades em relação ao assunto. Para começar a estudar a revolução é uma boa pedida sim!

    terça-feira, 18 de dezembro de 2012

    Burrocracia

    Não, você não leu errado o título. Nem eu errei a digitação.
    Na verdade, somente agora que voltei aqui é que me dei conta de que a última postagem foi há quase dois meses já... Sabia que fazia um tempinho, sempre pensava no blog e planejava: assim que acabar esta tarefa vou atualizá-lo". O fato é que dormia todos os dias, nos últimos dois meses, sem ter acabado as tarefas e recebendo MUITAS outras mais. Na verdade, não vivi nestes últimos dois meses. Não os vi passar, não os senti na minha vida. Na verdade, o corpo até sentiu: as dores de cabeça ocorreram diariamente, junto com algumas crises nervosas e de stress e algumas outras dores. Os olhos também não veem mais com tanta perfeição - descobri que uma das grandes causas das dores de cabeça eram os olhos, já não vendo muito bem de perto. E só me dei conta disso quando os braços começaram a doer - estava lendo com os braços esticados já...
    Enfim, tudo isso (inclusive a sensação absurdamente desumana de não ter vivido esses meses - sem estar em coma) por conta da 'burrocracia' e dos modismos que vem assolando a Educação nos últimos anos. O Professor não é mais uma pessoa, ele perdeu sua condição humana para se transformar em uma peça a serviço de caprichos pessoais de terceiros. E, como peça, pode trabalhar sete dias por semana, por doze, quatorze ou mais horas por dia. E, se a "vida" se resume a isso, pode-se pagar pouco - vai fazer o quê com dinheiro, sem tempo?
    Sim, meio chimarrão, meio Papai Noel (amargo e com o saco cheio).

    segunda-feira, 22 de outubro de 2012

    Juro alto, cabeça baixa

    Já está demais (e não é de hoje) a passividade do povo brasileiro. Baixamos a cabeça para tudo. No mercado europeu os carros saem de fábrica obrigatoriamente com airbag, mesmo os mais baratos. Aqui no Brasil, podem vir de qualquer jeito, e olha que nossas ruas e estradas são verdadeiros fronts de batalha. E isto apenas para citar um exemplo de quanto aceitamos tudo...

    O exemplo que gerou este post: temos, segundo o Correio do Povo, a maior taxa de juros no cartão de crédito: 238,3% ao ano! Aham, mais de duzentos e trinta e oito por cento ao ano. Devemos ser muito ricos mesmo, pois os pobres coitados dos norteamericanos pagam apenas 16,89%. Não, não faltou nenhum dígito, são menos de dezessete por cento ao ano... No Reino Unido o índice é parecido: 18,7% ao ano.

    "Ah, mas eles podem, quem somos nós para nos compararmos aos EUA?"

    Bom, vejamos então um país bem menor, com economia bem menos desenvolvida... Peguemos o Peru (no bom sentido) como exemplo: por lá a taxa atual de juros no cartão de crédito é de 55% ao ano, quatro vezes menos que por aqui.

    Por que será que livros de autoajuda em assuntos financeiros e programas na TV sobre educação financeira fazem tanto sucesso por aqui? Será que com uma taxa equivalente ao dos EUA, ou mesmo à do Peru, teríamos tantas famílias endividadas???? Por que aqui o valor é tão alto? Por que o governo permite? Por que o maior interessado, o povo, não faz nada? Até quando aguentaremos tudo passivamente?

    sexta-feira, 19 de outubro de 2012

    Gato por lebre

    Toda eleição é sempre a mesma questão. Vota-se em umas pessoas, assumem outras. Vários dos vereadores eleitos em Porto Alegre (como na maior parte das outras cidades do país) devem ser chamados para as mais diversas secretarias municipais, passando, assim, seus mandatos legitimamente obtidos para seus suplentes. Em Porto Alegre o candidato que foi eleito em primeiro turno representava uma coligação que envolvia 9 (sim, nove!) partidos. Ou seja, deve-se muito cargo...

    Agora a questão: alguém aí sabe quem são os suplentes do candidato em quem votou?
    É mais do que hora de se alterar esta parte da legislação eleitoral. Os suplentes deveriam ter o mesmo espaço dos candidatos: folders e panfletos deveriam ser divididos meio a meio entre os dois, e sempre que um candidato tiver espaço em algum meio deveria aparecer também, no mínimo, o nome dos suplentes, já que é certo que muitos vão assumir mesmo... Não dá e para aceitar que ainda tenhamos que comprar gato por lebre!

    segunda-feira, 1 de outubro de 2012

    Perda irreparável

    Baita perda. Mas baita mesmo, a ponto de poder ser considerada irreparável. O mundo perdeu hoje (segunda-feira) uma mente privilegiada e altamente produtiva, mesmo aos 95 anos. Refiro-me a Eric Hobsbawm, provavelmente o maior historiador vivo (alguém pensou que falava da Hebe?). Autor de clássicos absolutos de História e de análise de nosso mundo, como A era dos extremos, em que tece uma panorama de lucidez ímpar sobre o 'breve século XX'. Isso depois de descrever a formação deste período da história contemporânea em outras obras obrigatórias como A era do capital, A era das revoluções e A era dos impérios. Na verdade são mais de 30 obras deste autor de inspirção marxista, traduzido para mais de 40 línguas. É leitura obrigatória para quem pretende estudar História. Indispensável, também, para quem quer entender o mundo em que vive.
    Mais informações aqui.