terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Show da realidade


Há tempos atrás se dizia que o ano só começa depois do carnaval. Esta máxima, porém, já deve ser revista; hoje em dia, para muita gente, o ano só tem início com uma noca edição do bíguebróder. O que é triste e lamentável. Mas também diz muito do nosso povo e de porque o Brasil está do jeito que está... Tem gente a dar com pau que reclama de ter de votar uma vez a cada dois anos, mas vota toda semana no paredão... 
O interessante é tentar entender por que é que este tipo de programa faz tanto sucesso. Tá, tem toda a questão de não forçar o cérebro (ou nem mesmo ser necessário um), de ser um programa leve, descomprometido com qualquer coisa mais séria ou inteligente e por aí vai.
Mas na verdade, há um outro aspecto interessante de ser analisado que é a questão de cada vez mais gente querer viver ou achar que está vivendo em um reality show, tamanho é o grau de contaminação que um programa deste pode causar. Como assim? Se o leitor participa ou tem acesso a alguma rede social, como o facebook ou o twitter, dá uma olhada (ou, para usar o jargão, 'dá uma espiadinha' em quanta gente posta coisas tipo "tomando um sorvete em tal lugar", "na praia tal com tal pessoa", "almoçando no...", "malhando", "indo dormir", e etc. 
Por que é que alguém tem a necessidade de informar aos outros tudo o que está fazendo, cada passo que dá? Desejo de se sentir 'famoso', de querer ser seguido? (e tanto famoso de verdade querendo anonimato, poder seir tranquilo nas ruas...). Mais (e pior): por que é que tanta gente curte esse tipo de postagem e segue e passa horas lendo isso? O que interessa às pessoas o que os outros estão fazendo, aonde e com quem?????
Na boa, talvez seja caduquice desta mente inquieta, mas que é difícil de entender, ah isso é...           

sábado, 22 de dezembro de 2012

Os farrapos




Não, a PequenAlice não dá trabalho nenhum. Ao contrário, ela é que me faz relaxar do meu extenuante ofício. Ele é que me tira todo o tempo. O leitor mais antigo do blog deve lembrar que a esta altura do ano eu normalmente já tinha lido e comentado uns vinte e poucos ou trinta livros, este ano foram ridículos 7 (oito agora). Mas vamos lá, espero que as coisas ainda se ajeitem.

Bom acabei agora, finalmente, de ler o "Os Farrapos", do Carlos Urbim. É sem dúvida o livro mais bonito que li nos últimos anos. Falo em termos de projeto gráfico: papel de qualidade, mais grosso e envelhecido, capa dura envelhecida, ilustrações antigas, etc. O livro foi feito para ser premiado (como de fato foi, levou em 2002 o Prêmio Açorianos, na categoria projeto gráfico.

Em termos de qualidade de texto, o melhor livro que há sobre a Revolução Farroupilha ainda é o História regional da infâmia, do Juremir. Mas este do Carlos Urbim é bom também, pela linguagem mais acessível e pelo grafismo, que realmente prende. Não se aprofunda muito  em nenhum aspecto-chave, pois não é a proposta, como também não traz novidades em relação ao assunto. Para começar a estudar a revolução é uma boa pedida sim!

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Burrocracia

Não, você não leu errado o título. Nem eu errei a digitação.
Na verdade, somente agora que voltei aqui é que me dei conta de que a última postagem foi há quase dois meses já... Sabia que fazia um tempinho, sempre pensava no blog e planejava: assim que acabar esta tarefa vou atualizá-lo". O fato é que dormia todos os dias, nos últimos dois meses, sem ter acabado as tarefas e recebendo MUITAS outras mais. Na verdade, não vivi nestes últimos dois meses. Não os vi passar, não os senti na minha vida. Na verdade, o corpo até sentiu: as dores de cabeça ocorreram diariamente, junto com algumas crises nervosas e de stress e algumas outras dores. Os olhos também não veem mais com tanta perfeição - descobri que uma das grandes causas das dores de cabeça eram os olhos, já não vendo muito bem de perto. E só me dei conta disso quando os braços começaram a doer - estava lendo com os braços esticados já...
Enfim, tudo isso (inclusive a sensação absurdamente desumana de não ter vivido esses meses - sem estar em coma) por conta da 'burrocracia' e dos modismos que vem assolando a Educação nos últimos anos. O Professor não é mais uma pessoa, ele perdeu sua condição humana para se transformar em uma peça a serviço de caprichos pessoais de terceiros. E, como peça, pode trabalhar sete dias por semana, por doze, quatorze ou mais horas por dia. E, se a "vida" se resume a isso, pode-se pagar pouco - vai fazer o quê com dinheiro, sem tempo?
Sim, meio chimarrão, meio Papai Noel (amargo e com o saco cheio).

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Juro alto, cabeça baixa

Já está demais (e não é de hoje) a passividade do povo brasileiro. Baixamos a cabeça para tudo. No mercado europeu os carros saem de fábrica obrigatoriamente com airbag, mesmo os mais baratos. Aqui no Brasil, podem vir de qualquer jeito, e olha que nossas ruas e estradas são verdadeiros fronts de batalha. E isto apenas para citar um exemplo de quanto aceitamos tudo...

O exemplo que gerou este post: temos, segundo o Correio do Povo, a maior taxa de juros no cartão de crédito: 238,3% ao ano! Aham, mais de duzentos e trinta e oito por cento ao ano. Devemos ser muito ricos mesmo, pois os pobres coitados dos norteamericanos pagam apenas 16,89%. Não, não faltou nenhum dígito, são menos de dezessete por cento ao ano... No Reino Unido o índice é parecido: 18,7% ao ano.

"Ah, mas eles podem, quem somos nós para nos compararmos aos EUA?"

Bom, vejamos então um país bem menor, com economia bem menos desenvolvida... Peguemos o Peru (no bom sentido) como exemplo: por lá a taxa atual de juros no cartão de crédito é de 55% ao ano, quatro vezes menos que por aqui.

Por que será que livros de autoajuda em assuntos financeiros e programas na TV sobre educação financeira fazem tanto sucesso por aqui? Será que com uma taxa equivalente ao dos EUA, ou mesmo à do Peru, teríamos tantas famílias endividadas???? Por que aqui o valor é tão alto? Por que o governo permite? Por que o maior interessado, o povo, não faz nada? Até quando aguentaremos tudo passivamente?

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Gato por lebre

Toda eleição é sempre a mesma questão. Vota-se em umas pessoas, assumem outras. Vários dos vereadores eleitos em Porto Alegre (como na maior parte das outras cidades do país) devem ser chamados para as mais diversas secretarias municipais, passando, assim, seus mandatos legitimamente obtidos para seus suplentes. Em Porto Alegre o candidato que foi eleito em primeiro turno representava uma coligação que envolvia 9 (sim, nove!) partidos. Ou seja, deve-se muito cargo...

Agora a questão: alguém aí sabe quem são os suplentes do candidato em quem votou?
É mais do que hora de se alterar esta parte da legislação eleitoral. Os suplentes deveriam ter o mesmo espaço dos candidatos: folders e panfletos deveriam ser divididos meio a meio entre os dois, e sempre que um candidato tiver espaço em algum meio deveria aparecer também, no mínimo, o nome dos suplentes, já que é certo que muitos vão assumir mesmo... Não dá e para aceitar que ainda tenhamos que comprar gato por lebre!

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Perda irreparável

Baita perda. Mas baita mesmo, a ponto de poder ser considerada irreparável. O mundo perdeu hoje (segunda-feira) uma mente privilegiada e altamente produtiva, mesmo aos 95 anos. Refiro-me a Eric Hobsbawm, provavelmente o maior historiador vivo (alguém pensou que falava da Hebe?). Autor de clássicos absolutos de História e de análise de nosso mundo, como A era dos extremos, em que tece uma panorama de lucidez ímpar sobre o 'breve século XX'. Isso depois de descrever a formação deste período da história contemporânea em outras obras obrigatórias como A era do capital, A era das revoluções e A era dos impérios. Na verdade são mais de 30 obras deste autor de inspirção marxista, traduzido para mais de 40 línguas. É leitura obrigatória para quem pretende estudar História. Indispensável, também, para quem quer entender o mundo em que vive.
Mais informações aqui.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Machado atualíssimo


Sei que o assunto do momento é o Jorge Amado, pelo seu centenário. Mas é que acabei de ler os Contos Fluminenses, do Machado de Assis (na boa edição da Martin Claret ao lado), e não dá para deixar de falar no assunto.
Dá um orgulho louco poder dizer que já tivemos um escritor como Machado (quando será que teremos outro?...).  Se seus romances são verdadeiros primores de escrita e de enredo, sua face contista é de uma absoluta maestria. Consegue ser original mesmo muitas vezes valendo-se do mesmo tema, dos desencontros do amor. Mais ainda, dá verdadeiras aulas sobre cotidiano e mentalidades no Brasil do século XIX. Como o Assis Brasil faz hoje, remetendo a tempos passados. A diferença é que o Machado escrevia sobre seu tempo. Mas muita coisa vale ainda para os dias atuais, por mais incrível que possa parecer, pelas tantas mudanças comportamentais e em termos de mentalidade que já passamos.
Um curto e elucidativo exemplo dessa atualidade do Machado: no conto "Linha reta e linha curva" ele escreve "há pessoas elegantes e pessoas enfeitadas". Pedrada na janela... A proporção provavelmente mudou, da época em que ele escreveu até hoje. O conceito e a maneira de 'enfeitar-se' também. A distinção entre as duas coisas, não. O evidente antagonismo e a crítica ao auperficial e ao artificial também não. Agora imaginem se ele vivesse hoje, em tempos de silicone, botox, lipos e plásticas de todo tipo e sem limites...

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Crise da Educação!

Forró universitário.
Pagode universitário.
Sertanejo universitário.
Isso sim é a crise da Educação...

sábado, 4 de agosto de 2012

O que será dos blocos?

A "zona do euro" nunca mereceu tanto este nome. Crises sucessivas em vários de seus membros (e simultâneas) e antigos preconceitos voltando à tona com a entrada dos países do leste europeu levam muitas pessoas a questionar a continuidade de seus países no bloco.

Na Alemanha, por exemplo, recente pesquisa apontou que 51% da população acreditam que o país estaria melhor fora da zona (do euro, bem entendido). E, tanto ou mais grave ainda, 71% dos alemães entrevistados defendem a exclusão da Grécia do bloco no caso de ela não cumprir as metas de austeridade...

Como Marshall Bermann já dizia, tudo que é sólido desmancha no ar. Para quem nasceu e cresceu na Guerra Fria, é mais uma grande mudança. Depois da solidez da formação de vários blocos e comunidades inter e supranacionais, parece que estamos vivendo uma nova era político-econômica (nós, do Mercosul, nem precisamos ir muito longe para ver isso...). Sabe-se lá o que o Fukuyama inventaria a respeito...

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Paternidade

Ter um filho é sem dúvida a decisão mais importante da vida de uma pessoa. Não descobri isso agora - só fui ter filha aos 37 anos justamente por saber disso. Agora, porém, tenho mais autoridade para palpitar a respeito. Qualquer outra decisão (escolha de uma profissão, carro, cônjuge, casa, etc.) é reversível, ter um filho não. É para sempre. Felizmente!

Ainda não viajei este ano (nem no verão, pois a pequenAlice veio um mês e meio antes do que deveria, nem dei umas subidas à serra agora no inverno). Nesta época, em outros anos, já teria lido uns 18 ou 20 livros; neste ano, até agora, foram apenas seis. Deixei de dar umas saídas e uns passeios em função das duas bronquiolites da herdeira (das dívidas!!). Sei lá o que mais eu não fiz neste ano...

Mas a verdade é que a paternidade até agora está sendo bem melhor do que tudo isso que eu mais gostava de fazer antes. É uma coisa absolutamente indescritível acompanhar o crescimento de uma pessoinha, sua evolução, suas descobertas (sons, mãos e o poder delas de segurar coisas, etc.), os desafios inerentes e ser responsável por isso e pela formação desta pessoa. E olha que vi vários afilhados e primos crescerem, mas com filha(o) mesmo é completamente diferente. Não há o que pague/ substitua isso. E agora, então, em férias, passar dias inteiros com a filha tem sido a melhor das minhas férias até o presente. Em casa mesmo. Hoje Alice faz 6 meses, e, mesmo inconscientemente, já me deu incontáveis alegrias.

Enfim, a paternidade é altamente recomendável. Mas só para quem tem certeza.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Vôlei, Chopin, TchuTchá e inveja

Salada de assuntos mesmo, mas espero conseguir me fazer entendido.

No outro domingo de manhã, enquanto dava mamadeira para a pequenAlice, via o jogo de vôlei entre o Brasil e a Polônia, e duas coisas me chamaram a atenção. Primeiro, o Brasil ter perdido o jogo. Não pela Polônia, mas por ser o Brasil, do Bernardinho.

A segunda - e é aí que entra a inveja - foi uma matéria após a partida, mostrando um monte de gente em um bonito parque na Polônia ouvindo uma apresentação de uma orquestra executando obras do conterrâneo Chopin. Muitos bem estirados ou fazendo piquenique no gramado ao som de música erudita, em uma bonita manhã de sol...

Aí fiquei pensando: o que poderia causar o mesmo efeito aqui no Brasil? Poucos nomes (ou coisas) me vieram à mente além de Teló e de Tchutchá, o que dá uma tristeza...
Na boa, mas estudo e cultura fazem uma falta absurda, não tem como negar. Vê se alguém implorando que quer tchu ou mesmo tchá se daria bem em um país culto. Ou alguém que só sabe fazer lelelê...

Aqui em Porto Alegre ainda temos de vez em quando os Concertos comunitários Zaffari, e o concerto de fim de ano no Parcão, mas é pouco. Ou não, de repente é o suficiente, para um povo sem critério. Que dá uma inveja de outros povos, dá!

sábado, 9 de junho de 2012

Canibalismo

O tema voltou à mídia no mês passado ou retrasado, com o caso ocorrido em Pernambuco, em que um trio matou, esquartejou e desossou provavelmente três vítimas, cujas carnes foram utilizadas inclusive para rechear empadas "de frango"...

Na verdade, o que motivou este post foi o livro que acabei de ler, Canibais, do David Coimbra, que narra o caso ocorrido no século XIX em Porto Alegre, em que o açougueiro José Ramos fabricava sua famosa linguiça com carne humana, com sabor (por isso mesmo) inigualável. A obra é de ficção, mas baseada em fatos reais e bem ambientada e contextualizada na Porto Alegre do início dos anos 1860. Daria um pusta filme!!  Com o estilo do jornalista, então, a leitura flui que é uma beleza! A edição ao lado é da L&PM Pocket, baratinha!

A leitura vale muito a pena, assim como a de Cães da Província, do Assis Brasil (que já indiquei AQUI), que perpassa, também em ficção, o mesmo personagem portoalegrense; e, ainda, para fatos históricos mais concretos, O maior crime da Terra, do falecido historiador Décio Freitas.

Bom, já que o tema é este assunto macabro, vale também rever os filmes do Hannibal Lecter!

(tá, agora só falta alguém fazer uma apologia ao vegetarianismo!!!!)