sábado, 23 de outubro de 2010

Baixaria

Quem estranhava uma campanha eleitoral morna como a do primeiro turno, agora deve estar mais familiarizado, com todas as farpas e acusações que grassam na campanha do segundo turno.

O problema é que, se não estou enganado, o objetivo das campanhas eleitorais não é bem esse - não deveria ser. Campanha eleitoral, ao que me lembro, serve para o candidato mostrar seus projetos, debater ideias com a sociedade, exibir seus planos políticos. Isso justificaria a cadeia nacional em rádio e televisão. Acusações, troca de insultos e todo tipo de baixarias e infâmias - é para isso que todas as emissoras de TV e rádio devem parar sua programação? É isso que o povo deve assistir para decidir seu voto?

Quanto tempo em seu programa cada um dos candidatos tem dedicado a si mesmo? Me parece que em determinados momentos, passa-se mais tempo falando do outro do que de si próprio...

Haveria uma solução muito simples para isso, se campanha eleitoral fosse levada à sério nesse país. Se o horário eleitoral é para os candidatos apresentarem seus projetos, o candidato que dedicasse em um dia 3 minutos de seu horário, por exemplo, falando do outro EM VEZ DE APRESENTAR SEUS PRÓPRIOS PROJETOS, no dia seguinte perderia 3 minutos. Os 3 minutos seriam perdidos mesmo, não iriam para o oponente, pois senão os dois iriam se beneficiar por igual e acabar tendo o mesmo tempo. Vai tirando o tempo do candidato e do partido, para ver se não param com a baixaria...

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Máfia a mil

Primeiro (re)lê isso:

Depois isso:

Sim, a notícia é atual; isso ainda acontece.

Os chineses criaram o macarrão e a pólvora. Os italianos juntaram tudo e criaram a máfia!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Lançamento!

Não posso deixar de fazer propaganda:

Livro de autoria deste humilde servo que lhes escreve.

A ideia surgiu há quase dois anos, quando, após criar alguns blogs pessoais, resolvi criar blogs com fins pedagógicos. Inexperiente no assunto, fui atrás de bibliografia sobre a questão e - pasmem - não encontrei NADA... Até existem livros sobre informática na educação, mas nada (pelo menos não encontrei) específico sobre blogs, seu uso e possibilidades. Artigos em revistas e jornais até encontrei, mas nada além. O resultado foi aprender na prática, aprender fazendo. Mas isso porque sou muito curioso (e gosto de me meter, tentar, experimentar). Mas sempre ficou aquela pulga atrás da orelha: quantos e quantos professores não estariam com a mesma ideia, o mesmo projeto de criar blogs, de experimentar novas didáticas em suas aulas, e, com o mesmo problema que eu (não encontrar material), tem medo de ousar?

O livro acima busca sanar essa lacuna, e de quebra, traz muito mais do que isso;

- desconstrói uma série de argumentos normalmente utilizados para não ousar nas aulas (medo do novo; ausência de computadores/ equipamentos na escola, nas famílias - argumento que derrubo com dados e estatísticas oficiais -; falta de tempo; etc.)

- propostas de trabalhos em TODAS as disciplinas dos ensinos fundamental e médio, que podem servir como pontos de partida para o trabalho com blogs em todas as áreas. Aliás, todas as propostas de trabalho, em todas as disciplinas, são interdisciplinares

- dicas/ conselhos extras

- sugestões de bons blogs para inspirar

O livro tem 108 páginas e registro nacional ISBN.


Quer saber mais?

Para comprar é o seguinte:

- Para comprar diretamente com o autor (Porto Alegre) o valor é R$ 30,00.

- Estou em negociação para colocá-lo em algumas livrarias, mas já me foi passado que o percentual que elas cobram é em torno de 30 a 50%. Assim, seu preço deverá ficar, nas livrarias, entre R$ 39,00 e R$ 45,00

- Estou estudando o funcionamento do PagSeguro, para vendas pela internet. Já fiz algumas compras por este sistema, absolutamente seguro. Estou vendo agora como funciona para utilizá-lo para vendas (no meu caso). Assim, poderá ser adquirido por este blog mesmo.


Enfim, espero que, de uma forma ou de outra, apreciem!!!

(ah, e divulguem para todos os seus amigos/ conhecidos professores, pelo bem da tão judiada Educação em nosso país!)

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Embalagem X Conteúdo

A questão é antiga, sem dúvida. Fui motivado a escrever em função de um ótimo artigo de Moacyr Scliar, do caderno Donna, ainda no mês de setembro.
No texto ele cita o livro e o estudo do psicólogo norte-americano Paul Bloom, "How pleasure works: teh new science os Why we like what we like" (tipo: "Como funciona o prazer: a nova ciência de porque gostamos daquilo que gostamos").
Diz ele que Bloom deu, em programa de Lucas Mendes, dois exemplo fundamentais a respeito da questão de gosto, e principalmente de como os gostos de muitas pessoas são influenciáveis pelas aparências.
Primeiro, citou uma iniciativa do jornal Washington Post, em que o violinista Joshua Bell disfarçou-se de artista de rua e tocou por 45 minutos obras de Bach em uma estação de metrô, com seu Stradivarius de 1713, avaliado em US$ 3 milhões. Resultado: apenas 6 pessoas pararam para escutar, e a que ficou mais tempo (mesmo apressada pela mãe) foi uma criança de 3 anos. Detalhe: dias antes ele havia tocado (e lotado) no Symphony Hall de Boston, com ingressos de até US$ 1.000! Sem o traje e o teatro, porém...
Segundo, e este exemplo é clássico: dois grupos de pessoas receberam amostras de vinho barato para provar. A um dos grupos isto foi revelado, enquanto que ao outro foi dito tratar-se de um vinho famoso. Resultado: neste segundo grupo os elogios foram unânimes. O principal: os elogios não foram "só de boca": imagens de ressonância magnética mostraram que as áreas cerebrais ligadas ao prazer "se incendiavam" quando a pessoa tomava o suposto vinho 'de grife'.

Tudo isso é absoltumante simbólico a respeito do tipo de vida e de valores que são comuns hoje em dia. A pesquisa e os exemplos foram realizados nos Estados Unidos, mas teriam resultados diferentes no Brasil? Logo aqui, onde tanto se valoriza a embalagem, em detrimento do conteúdo (veja-se o caso das 'mulheres frutas')??? Quantas vezes não vamos (ou ouvimos falar de pessoas que tem esta experiência) a restaurantes caros, metidos a besta mesmo, em que a comida é bem - no máximo - mais ou menos? Quantas vezes ao se comprar uma roupa, não se paga o triplo de seu preço apenas pela etiqueta? Quanta gente não paga uma quantia absurda para fazer em um 'coiffeur' de grife (daqueles que se marca hora com meses de antecedência) o mesmo corte que se faria em qualquer salão?
O que houve com a cultura do SER?
Quando - e por quê - 'TER' se tornou mais importante do que 'SER'?
O que (em termos materiais e em termos de pessoas) muitas vezes não se joga fora ou desperdiça em função das aparências?

domingo, 10 de outubro de 2010

O gosto pela reclamação

Não tinha pensado em abordar este assunto aqui, pois já se falou tanto sobre o mesmo, em tudo que é lugar possível. Ao mesmo tempo, porém (e talvez por isso mesmo), não tem como fugir.
Refiro-me a alguns resultados das urnas. Principalmente à eleição do palhaço Tiririca por mais de 1.300.000 palhaços. Categoria grande e unida, essa; não poderia dar em outra coisa! Puro corporativismo. Tem uma propaganda de uma rede nacional de postos de combustíveis que diz que "brasileiro é apaixonado por carro". Nada disso, a paixão maior do brasileiro é reclamar! A maioria passa quatro anos reclamando dos políticos, e não vê a hora de chegar a eleição, para colocar outros motivos de reclamação no poder. Para poder passar mais quatro anos reclamando, e assim indefinidamente...
E não me venham com essa de "voto de protesto". Voto de protesto em relação a maus políticos seria eleger bons políticos. Voto no Tiririca não foi voto de protesto, foi voto burro, imbecil (mais que ele, que se deu bem!).
E, finalmente, que não se ouça mais falar no Rio Grande do Sul como "estado politizado" ou coisas do gênero. Depois da reeleição do Sérgio Moraes - sim, aquele que se lixa para a opinião pública - (e da eleição do filho, ainda por cima), acreditar nesse discurso ufanista a respeito de uma suposta consciência política gaúcha é ilusão ingênua, de quem não quer ver a realidade (e ainda se acha superior). Os palhaços do RS não usam fantasia...

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Sonho realizado

Sempre quis ter corpo de atleta.
Ronaldo Fenômeno me ajudou!

domingo, 3 de outubro de 2010

Boa!!!

Mas olha que interessante e oportuna manifestação para o período que vivemos:
clica AQUI (mas aí clica no "página anterior" - também conhecido como voltar, aquela seta verde para a esquerda que está lá no canto superior esquerdo de seu monitor - para voltar aqui e compartilhar sua impressão)


Apenas algumas ressalvas:
- por um lado, faltou indicar/ mostrar, nas fotos, quem é o palhaço (ficou claro para todo mundo?)
- por outro lado, o quadro com a cara do palhaço nao poderia ser substituído por um espelho???
- terceiro: se tivesse o número do palhaço nas imagens, será que ele não seria eleito?


Chê, é hoje o dia; como diz naquela propaganda de cerveja, "vote com moderação".
Na boa, enche um pouco o saco ver as pessoas reclamandootempotodo dos políticos, como se eles tivessem caído do céu (mais provavel que tenham ascendido do inferno) e nos fossem impostos à força, e não tivéssemos nada a ver com isso...
A maioria dos que estão aí e são candidatos novamente já são conhecidos, dá para ver muito bem quem presta e quem não presta. Custa analisar os atos dos candidatos? Custa se informar um pouco a respeito de quem cogitamos dar um voto? Deixemos para fazer m* na privada!!!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Livro para beber!

Outra dica de livro. Um pouco diferente do que tenho indicado por aqui, como se pode deduzir pelo título do post.
Trata-se de "Vinho", de Jean-François Gautier. É da boa série Encyclopaedia, da L&PM. Boa porque tem bons títulos, e a preços bem acessíveis.

Quem gosta de ler, gosta de cultura geral e também de vinhos, não pode perder. O livro traça um panorama muito interessante do vinho ao longo da história, de sua presença em milhares de anos, nas mais variadas sociedades possíveis e em meio aos mais diferentes rituais - religiosos ou não. Aliás, é surpreendente ver o quanto o vinho esteve SEMPRE ligado à religião. De sua relação com a religião grega de Dionísio e com o Baco romano, além de sua presença nos rituais cristãos, possivelmente todos sabiam. Mas até em religiões/ comunidades nórdicas ou orientais o vinho foi inserido como parte ritualística importante. O livro traça um painel de tudo isso de uma maneira muito concisa e clara, acessível a todos, ao contrário do que acontece com alguns outros do gênero, que muitas vezes possuem uma linguagem excessivamente técnica e enfadonha.
Há ainda na obra uma interessante versão da Marselhesa (atual hino francês, da época da Revolução de 1789-1799): é a "Marselhesa do Bebum", cantada por revolucionários sans-culottes:
"Avante, filhos de La Courtille [antigo bairro francês que abrigava salões e espaços onde ocorriam os mais variados tipos de festas, casamentos,...]
o dia de beber chegou
é por nós que a morcilha grelha
é para nós que foi preparada
sentimos da cozinha
assar perus e pernis
de fato seríamos bem tolos
se lhes fizéssemos cara feia
À mesa, cidadãos, esvaziem todas as garrafas
bebei, bebei, que um vinho bem puro mata a sede de vossos pulmões"
(para conhecer e comparar com a letra original do Hino francês, clique aqui)

Enfim, o livro é barato, sobra até para comprar uma garrafa da bebida de Baco para degustar com a leitura!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Para não esquecer

A "festa da democracia" sempre proporciona muito pano para a manga. Como não há tempo para tratar de tudo (e o que há para ser dito renderia novos blogs, e não simples posts) lembrarei de um caso. Nada que se compare ao do Tiririca, mas também patético. Trata-se do Sérgio Moraes, deputado federal pelo PTB. Aquele que no ano passado afirmou "se lixar" para a opinião pública. Aquele que fez, nos microfones do CQC, comentários bastante preconceituosos e homofóbicos. Eis que vem, com a humildade de uma Madre Teresa de Calcutá, pedir votos no horário político. Vem pedir o apoio do público eleitor, que ele mesmo enxovalhou.
Por favor, amigos eleitores, coerência na urna, ela não é privada.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

As mortes

Acho que encerrei os assuntos hospitalares já, o post de agora, apesar do nome, refere-se à literatura.
A dica de hoje é A morte e a morte de Quincas Berro D'Água, de Jorge Amado.

Li no hospital (olha ele aqui de novo), já um tanto intrigado de perceber que, em mais de 3 décadas de vida, embora conhecendo várias obras do escritor baiano, nunca havia lido nenhuma. Leitura bem apropriada ao local e à situação em que me encontrava: leve e divertida. Trata-se de uma novela, que narra a morte de Joaquim Soares da Cunha, respeitável funcionário da Mesa de Rendas Estadual, e de Quincas Berro D'água, 'rei dos vaabundos', 'senador da gafieira' e 'patriarca da zona dobaixo meretrício'. Na verdade, trata-se da mesma pessoa, que no entanto teve vidas tão diferentes. O correto marido e pai de família que, aos cinquenta anos, largou a casa e a família para viver na companhia dos vagabundos, boêmios, bêbados e prostitutas, é o personagem que dá vida (ops, cuja(s) morte(s)) à esta divertida história, com seus companheiros Mestre Manuel, Quitéria do Olho Arregalado, Negro Pastinha, Cabo Martim e Pé-de-Vento. São estes que, no velório, já bêbados, carregam o morto (que sorria) nos ombros, dão-lhe cachaça e levam-no aos lugares nos quais sempre fizeram farra. Isto até a derradeira morte de Quincas, ao cair da saveiro no mar. História que se presta a filmes (há já alguns bem parecidos) e ao imaginário popular.

Coloquei a capa da edição que li, com posfácio de Affonso Romano de Sant'Anna, que conta a história real, ocorrida na Bahia, que deu origem à do Quincas. Vale também a pena ler!

sábado, 18 de setembro de 2010

Reflexões hospitalares!

Coloquei no post anterior que minha concepção de tempo mudou. Na verdade as internações serviram para me mostrar algumas coisas:
- não me acho. Tenho pavor (e mantenho distância) de gente que se acha o centro do mundo. Ainda assim, aprendi que não sou mais do que um grão de areia (nunca pensei ser mais do que isso mesmo) em meio a esse mundo caótico. Aprendi que o meu tempo é só o MEU tempo. Por mais que tenha pressa, a pressa será só minha. As outras pessoas, o mundo, tem seu próprio tempo. Por mais que tenha dor e aperte a campainha (luz) do quarto do hospital, o auxílio não virá na hora que eu quiser/ precisar. Se for troca de turno ou hora de os atendentes passarem nos quartos para medir os sinais vitais dos pacientes todos, eu que aguarde. E a dor também.
- a vida é feita de instantes, e tudo é relativo. Ainda este ano fiz meu primeiro check-up (35 anos), com todos exames possíveis, e deu TUDO absolutamente bem, tive minha saúde elogiada pelo médico. Nunca, nestas três décadas e meia, tive qualquer problema de saúde maior do que alguma gripe ou as doenças infantis. Minha presença em hospitais se resumia a visitar parentes. E eis que...
- pós-hospital, e ainda referente ao tempo: tenho aos poucos aceitado que o dia só tem (e sempre terá) 24 horas. Este sim é o aprendizado mais difícil, para alguém tão atarefado. Mas necessário. É preciso aprender a conviver com isso. Das 24 horas, tirando-se umas 5 ou 6 para o sono, 2 para as refeições todas, 1 para os banhos, e uns 40 minutos para os deslocamentos, o que sobra é trabalho. Fora ou em casa. Se der tempo de fazer tudo o que preciso, beleza. Se não der, que fique para outro dia. Não posso deixar de fazer qualquer das coisas citadas acima. Ah, e vez ou outra vou ter de tirar ou achar um tempinho para mim, ou o corpo vai novamente me forçar a isso...
- há coisas (e não são poucas) que, embora não entendamos - ou não concordemos - , precisamos aceitar. Se o médico prescrever que é necessário ter de passar por 50 horas de jejum, paciência. Se, dias depois, tiver de passar por mais 62 horas de jejum total (nem água), paciência também. Se sair do hospital com 8 quilos a menos e tiver de enfrentar os olhares entre assustados e apiedados dos conhecidos, mais paciência e coragem. Com o tempo as pessoas acostumam (ou volto a engordar).
- na verdade um dos grandes aprendizados foi exatamente este: o exercício da paciência, coisa que sempre me faltou. E o conhecimento do corpo, dos limites e das mais variadas dores (e da capacidade de suportá-las).


Enfim, há tempos não se via um post tão melancólico e filosófico como este.
Aspectos positivos desta experiência: pude ler bastante nos momentos sem dor (coisa que já não conseguia fazer em casa, pelo excesso de trabalho) e, principalmente, me senti importante e querido com todas as manifestações de carinho, visitas, ligações e mensagens que recebi. Faz muito bem esse sentimento de vez em quando...

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Notícia

Já estou bem. Muita coisa aconteceu depois desta postagem aí debaixo: infecção, nova (e prolongada) hospitalização, todos tipos de dores possíveis; sem dúvida, o momento mais difícil da minha vida.
Tudo bem agora, MUITA² coisa para escrever, mas pouco tempo.
Mas devagar tudo vai se ajeitando; até minha concepção de tempo mudou (em seguida explico melhor)...